quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Canção do Desapego



Então por hoje
nada terei
deixarei
que levem tudo
sem hesitar ou sentir remorso,
deixarei que quebrem tudo
sem ter pena do quebrado

Por hoje não terei nada
e levarei comigo
apenas essa pequena carga
tão leve e graciosa
Que de tão simples
só tem a ela mesma:
o nada.

então é isso
por hoje terei só a mim
Podendo assim voar
aos cantos mais remotos
como um saco vazio
Sem furo, é claro!

5 comentários:

josé leite netto disse...

Belo. Muito belo. Adorei a imagem:” Podendo assim voar/aos cantos mais remotos/como um saco vazio”. Só a marginália poética tem o absurdo de tal beleza. A simpatia e sensibilidade, verso solto como um saco voando pela cidade. Estou guardando seus versos. Parabéns.

Paty Lopes disse...

Lisonjeada, poeta...

Talles Azigon disse...

já eu fico com a imagem "deixarei que quebrem tudo
sem ter pena do quebrado" e mais que imagem quando você tece esse poema de maneira tão sublime você vai abrindo sentimentos e desejos de simplicidade no coração dos leitores eu amei muito E eu estou tão feliz por ter convivido e redescoberto uma pessoa que é uma poeta maravilhosa como você

aluisio martins disse...

a leveza de se soltar das bagagens-fardos inuteis que pesam o vôo mais alto. sabias palavras num belo poema...

Paty Lopes disse...

bom mesmo eh senitr o que o poeta sente quando põe pra fora suas palavras.
Obrigada Aluisio!