quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Poema-fogo para Herberto Helder

Impossível ver seu rosto de homem
pentecostes na voz em meio à sarça ardente
seiva bruta na saliva que irriga lavouras
de poemas e ostras e algas
do mar da Madeira. Ilha de mistérios
onda a levedar no pão de cada lua
ofício cantante em harpa de ouro e trigo
louros ressequidos pelo sol selvagem
de seu autoexílio.

Impossível ver seu rosto em bronze
diamante polido pela mão de um anjo
a gritar: – Ó zona de baixeza humana!
Mítico maldito em estado selvagem
o olhar varado pela flecha de prata
do menino-bardo;
cordão umbilical atado a tudo
que o tempo lavrou em vil caligrafia:
fogueira e monturo no buço da noite
cabelos de plantas descendo os adobes
ressaibos de dores nos poros do amor
explosão do átimo de Deus
lavas de dragão incinerando a pátina
vulcão regurgitando a própria entranha
escarrando pro céu o cuspe de sua alma.

Impossível não ler Herberto em chamas.

Um comentário:

aristo disse...

Zinah,

Bom dia!
Vim retribuir a sua visita ao meu blog "multifacetado"! A princípio pensei que fosse "esculacho" seu o que escreveu..! haha Consultei o Aurélio e fiquei mais tranquilo..! Grato por suas palavras!
Nesse seu blog, gosto das 3 palavras do título dele: a cachaça, o Ceará e as "letras"!
Aliás, estive recentemente em Fortaleza e trouxe "algumas cachaças"..! Adoro seu Ceará também! Quanto às letras você é que é entendida!Cabe a mim só saborera na leitura!
Parabéns também pelo blog!

Abs e bjs,

Aristides Monteiro