quarta-feira, 21 de maio de 2008

Modigliani

Habituei-me a dor rasgando
a carne e às entranhas;
aos vermes aguardando
a hora do festim e ao
canto agourento das aves
de rapina que sobrevoavam
o corpo largado no chão.

Mas há uma luz nova
rompendo as frestas,
o zum-zum-zum de abelhas
beijando miúdas flores
e um pássaro rouco
cantarolando fados
em minha janela:

O que fazer agora?

Vássia Silveira

2 comentários:

josé leite netto disse...

vc é um amor de pessoa

Paty Lopes disse...

Modigliane
pintaria tudo isso, como pintou tudo que lhe vinha na alma
(as vezes não: deixava tudo apenas pra alma).
Isso toca a alma, talvez ele pintaria...
Quem sabe da alma de um malandro/poeta?